Como funciona a relação entre Corporates e Startups

Levando em conta o escopo e o ritmo das mudanças ocasionadas pelas novas tecnologias, o Brasil tem realizado, com certo sucesso, a conexão entre dois mundos: os negócios tradicionais e novos players do mercado. Ambos podem se beneficiar da colaboração: as corporates a entrar e criar novos mercados e as startups a desenvolver sua solução (produto ou serviço) e a escala- la. Além disso, corporates e startups tem objetivos estratégicos em comum: buscam o crescimento de seus negócios, serem cada vez mais competitivos e gerar valor. Nesse contexto, a atitude de empresas consolidadas vem mudando sistematicamente. Muitas empresas têm se limitado a inovar internamente com pequenas melhorias de forma a responder as tecnologias disruptivas e a competição global presente em todos setores e mercados, enquanto outras tem acelerado sua inovação se conectando e colaborando com startups.

A colaboração entre corporates e startups não é uma tarefa fácil. Há um tempo atrás, em um evento de open innovation em SP, assisti uma apresentação de uma corporate, já acostumada com projetos de conexão com startups, onde eles explicaram que ao iniciar os projetos havia uma expectativa que as conexões com startups seriam em um formato “plug and play”, mas ao final descobriram que estava sendo um formato “plug and pray”. Sabe-se hoje que mais da metade das tentativas de colaboração ainda falham devido ao choque de mindsets divergentes entre empreendedores motivados, ágeis e dispostos a correr riscos e corporates ainda muito orientadas por processos e avessas a riscos.

Não existe hoje uma receita de bolo para que projetos de colaboração entre corporates e startups tenham sucesso. Será sempre um processo de tentativa e erro, até porque não podemos esquecer que o risco é inerente a inovação. Claro que, ao trazer processos e ferramentas para a gestão de projetos de colaboração, há um aumento considerável nas chances de sucesso, minimizando riscos. Para que programas de colaboração tenham sucesso, é fundamental que cada lado aprenda a entender interesses, expectativas, incentivos e a cultura do outro. Esse processo depende de as partes identificarem as formas mais apropriadas de colaboração (fornecedor, projeto piloto, labs e corporate venture) para cada situação e definir claramente papeis e responsabilidades.

Alguns pontos são imprescindíveis para que os resultados apareçam. Inicialmente, é necessário um alinhamento estratégico. Se a aproximação com startups é um “nice to have” para corporates, dificilmente irá funcionar. Segundo, comprometimento e disponibilidade dos C-level de ambas as partes. Terceiro, alinhamento de expectativas de ambos os lados, principalmente, em relação a tempo e recursos investidos. Corporates não são ágeis como as startups e as startups tendem a se comprometerem além da conta. Quarto, reunião regulares de acompanhamento do projeto com envolvimento dos C-level. De forma muito simples, esses passos ajudarão a corrigir rapidamente situações inesperadas que possam comprometer o projeto.

A combinação dos ativos das corporates com a velocidade e criatividade das startups tem um potencial enorme para geração de inovações. Atualmente, apesar da crise, nosso ecossistema de inovação e empreendedorismo continua ativo e movimenta corporates e startups para inovarem em parceria. Temos um ecossistema em constante crescimento e com valiosos aprendizados sobre o que torna projetos de colaboração serem um sucesso ou fracasso e melhores praticas que mostram para ambos as partes o que faz essas parcerias terem resultados positivos. Para aquelas corporates que ainda estão pensando em se conectar com startups, Christoph Keese escreveu num artigo publicado no site da BCG (Boston Consulting Group) que “conectar-se com startups não é uma nova tendência de gestão que será substituída por uma nova tendência em alguns anos; é um novo sistema operacional.”

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