O desafio de ser uma Startup

Experimentar o fracasso, para uma empresa tradicional, pode significar assinar
sua sentença de morte. Isso não é equivalente para as startups. Seu método
ágil de aprendizagem com os erros proporciona que seu processo seja revisto
rapidamente e, literalmente, corrigido sem sofrer grandes perdas.
Imagine a seguinte situação: uma empresa tradicional resolve investir em P&D,
para criar um produto que acredita ser inovador no mercado. Investe boa parte
de seu faturamento mensal por um longo período, até, finalmente, conseguir
prototipar esse produto.

Posteriormente, investe em marketing e vendas,
direcionando seus esforços para que, assim, consiga atrair a atenção de seu
público-alvo, gerando interesse no produto, ocasionando a venda esperada.
Bom, pra começar, esse processo linear acabou. A interação da empresa,
apenas com a análise de dados de mercado não é mais suficiente no atual
cenário de negócios. O consumidor final do produto deve, definitivamente, ter
uma mínima interação no processo, seja de criação e prototipagem do produto,
no MPV.

A interação do usuário junto ao processo de validação é parte essencial na
rotina das startups. Mas não é recente o foco no interesse do consumidor.
Após o fim da Segunda Guerra Mundial terminou, no Japão, nos anos 1950,
houve a necessidade de reconstrução, tanto do país quando do mundo.
Como exemplo, a Toyota precisava atingir mercados menores, em larga
escala, com uma maior variedade de seus veículos. Para tanto, foi necessário
que a montadora executasse suas operações com um menor custo de
produção, desperdício zero, melhorias na qualidade dos produtos e nos custos
logísticos de entrega.

Foi aí que Taiichi Ohno, executivo da Toyota, desenvolveu a metodologia Lean
Manufacturing. Ele priorizou a redução de sete tipos de desperdícios: 1)
produção excedente, 2) tempo de espera, 3) logística, 4) excesso de
processamento, 5) estoque, 6) movimentos e 7) defeitos. Dessa forma, a
metodologia tinha o enfoque na demanda do cliente e não mais da
organização, passando a descartar o processo de produção, o que não
entregava valor ao cliente final.
A principal variável na concepção de inovação, há muito tempo, já era
considerada – indiscutivelmente – a validação pelo cliente, usuário do produto.
Assim como Ohno, criador da metodologia mais conhecida e utilizada por
startups no mundo, Eric Ries, a Lean Startup, afirma em seu livro que utilizou
as contribuições de Ohno para desenvolver seu método, adequando às organizações que têm processos inovadores em seu DNA, no caso, as próprias
startups.

Tanto é fundamental a interação com o usuário (final ou não), que Ries
também trouxe para a concepção da metodologia, o conceito de Steve Blank,
de Desenvolvimento do Cliente, a qual interage com os potenciais clientes,
onde verifica quais são as necessidades e as características do mercado,
supondo que, literalmente, o empreendedor vá atrás das informações, o que o
autor registra como “get out of the building”, traduzido como “vá para a rua” e
valide suas hipóteses junto ao usuário.

Nessa aventura de criar e conduzir uma startup, o que o fundador e os demais
agentes que tiverem intenção de obter sucesso com a ideia devem saber é:
deixei o usuário à par do processo, faça dele um interessado por sua
solução desde o início e não deixe de ouvi-lo em cada etapa, desde a
validação do problema, com a concepção de protótipos, do MVP e no
produto pronto, já estabelecido junto ao mercado.

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